Monday, September 24, 2001
 
Uma Lição Difícil de Aprender


Tendo em vista que muitos têm empreendido fazer avaliações acerca dos fatos ultimamente ocorridos na nação mais poderosa da terra, segundo no-los transmitiram os meios de comunicação, que desde o princípio foram testemunhas oculares de tais eventos, também a mim, depois de haver considerado tais fatos em meu coração, pareceu-me bom registrar algumas impressões sobre os mesmos.

Sendo uma nação muito religiosa, conforme ouvimos dizer, imagina-se que estejam se perguntando, como geralmente se faz em casos assim, por que Deus teria permitido tanto sofrimento a um povo tão bom. E é justamente por aqui que eu gostaria de começar minhas considerações.

Primeiramente, corrija-se a pergunta, pois a pergunta apropriada não é "por que" Deus permitiria tamanho sofrimento a um povo tão bom. Também não é "para que", como poderiam sugerir alguns, na tentativa de abstrair do sofrimento alguma lição supostamente preparada pelo Todo-Poderoso. Custa-me imaginar um Deus essencialmente bom, capaz de recorrer à truculência característica das ações militares ou paramilitares com o fim de dar lições aos seus filhos.

Que alguns homens sejam maus, entende-se. Que eles busquem justificar sua agressividade recorrendo a meios tortuosos, compreende-se. Que essa agressividade volta e meia resulte em sofrimento para outros homens não é justificável, mas pode ser explicado em função dos valores equivocados que orientam a conduta de uma parcela significativa da humanidade. Mas daí a pretender transferir para a divindade a responsabilidade última por toda sorte de males que assolam a humanidade é inaceitável. Se os homens se provocam e mutuamente se matam e se devoram, há que se ter maturidade e honestidade suficientes para admitir-se que Deus pouco ou nada tem a ver com tudo isto. Ele foi deliberadamente excluído do cotidiano dos homens, pelos próprios homens.

Corrija-se, de igual modo, a afirmação de que os norte-americanos são um povo bom. E antes que eu seja apedrejado por algum desavisado que imagine estar diante de uma besta insensível, esclareço que a correção em questão justifica-se pelo fato de não serem os americanos melhores nem piores que qualquer outro povo sobre a terra. Se a pergunta parece sugerir que um atentado dessa magnitude é uma injustiça contra um povo tão bom, é preciso destacar que ele seria, em qualquer magnitude, igualmente injusto se cometido contra qualquer outro povo. Não é que os nossos irmãos norte-americanos sejam tão bons que não o mereçam. É que povo algum há que seja tão mal a ponto de merecê-lo.

Estabelecido que o atentado não é uma questão de injustiça porque praticado contra este ou aquele povo, nem é um instrumento pedagógico nas mãos do Criador, caberia indagar acerca das razões que levam um grupo de suicidas a espatifar aviões comerciais de grande porte entupidos de combustível contra edifícios cheios de gente.

Sendo o nosso desejo sincero encontrar a verdade, é preciso preliminarmente descartar possíveis soluções simplistas e superficiais tais como a de que tais terroristas seriam loucos desvairados, ou que seriam indivíduos despeitados extravasando a sua inveja em relação ao estilo de vida americano ou, ainda, que seriam instrumentos de Satã combatendo para a destruição do cristianismo. Tais possíveis respostas apenas mascarariam a questão, evitando que se desça à raiz do problema. Lembremo-nos de que as coisas nunca são realmente como aparentam na superfície.

Invertamos a questão para ver se assim as coisas ficam um pouco mais claras. Perguntemo-nos, juntamente com os nossos irmãos do Norte, que mal teria sido feito a essas pessoas para levá-las a cultivar tamanho ódio, a ponto de sacrificarem sua próprias vidas com o único objetivo de desmoralizar o povo norte-americano. Perguntemo-nos qual a possível razão que teria levado uma nação tão justa e próspera a tornar-se o objeto do ódio de um grupo de indivíduos dispostos a morrer para matar americanos.

Sabemos que ninguém age sem uma motivação. Toda ação consciente resulta de uma escolha, que por sua vez funda-se sobre uma motivação. Compreender o que estaria gerando essa motivação é fundamental para entender o que leva alguns indivíduos a se espatifarem junto com um avião em um edifício. Motivação, portanto, existe, mesmo em se tratando de suicidas. Se a julgamos nobre ou não, justa ou não é discutível, mas o fato incontestável é que aqueles que estão morrendo por ela certamente acreditam que ela o seja.

Acerca da questão da justiça, Aristóteles já a separava didaticamente em distributiva e retributiva. Segundo ele, distribuir de acordo com a justiça é fazer com que cada um tenha aquilo de que necessita para viver, na medida da sua necessidade.

Daquilo que ouço a respeito, parece que internamente tanto os EUA quanto os demais chamados países desenvolvidos possuem abundantemente tal justiça (ressalva-se, talvez, eventuais exceções quanto a pequenos grupos de marginalizados internamente - mendigos, loucos, etc.). Todavia, visto que é moda invocar-se a globalização para justificar políticas macro-econômicas predatórias, seria, quem sabe, o caso de tais países enriquecidos atentarem para a necessidade de implementação de mecanismos que permitam uma distribuição mais justa das riquezas. Riqueza concentrada é riqueza sitiada. E se a riqueza acha-se sitiada por pobres e miseráveis, bem pode acontecer que eles, levados pela cobiça ou premidos pela necessidade pura e simples, resolvam tomá-la à força ou chamar a atenção do mundo com medidas desesperadas para a necessidade de que tais riquezas sejam mais justamente repartidas.

A justiça retributiva, por sua vez, segundo Aristóteles, seria responsável pela imposição, na justa medida, de penas aos transgressores da lei bem como pela restrituição aos seus legítimos donos daquilo de que foram privados ou pela indenização, quando a restituição mostrar-se absolutamente impossível.

Ouço dizer, pois lá nunca estive, que a justiça retributiva é admiravelmente eficiente na terra dos nossos irmãos norte-americanos, instrumentalizada por um Judiciário ágil e eficaz. Mas parece que a justiça retributiva, tão eficiente operando internamente, não se faz tão presente nas relações internacionais por fatores que somente os especialistas em Direito Internacional sabem explicar. O Vietnam é testemunha disto; o Panamá também, e com eles todos os demais países invadidos, violentados e humilhados, direta ou indiretamente, por causa da política externa norte-americana.

Por uma questão de honestidade, é preciso reconhecer que os nossos irmãos norte-americanos nem sempre pautam sua conduta internacional pelos preceitos da justiça. Prova disto são as biografias de dois personagens cada vez mais importantes para os noticiários internacionais: o primeiro deles é Sadam Hussein, a quem os irmãos norte-americanos armaram até os dentes para usá-lo como instrumento da aniquilação do Irã. Desafortunadamente, não apenas o Irã não foi aniquilado, como o Sadam voltou-se contra aqueles que o criaram.

O outro personagem é o próprio Osama bin Ladem, a quem os EUA criaram para barrar a entrada da então União Soviética no Afeganistão. Este homem (não duvidem, ele é apenas um homem) é criatura norte-americana na mais estrita acepção desse termo. E mais uma vez a criatura se volta contra o seu criador causando-lhe não apenas constrangimento, mas dor indescritível.

Parece que a política externa do país dos nossos irmãos do Norte é caracterizada pela falta de humildade, característica de quem se percebe superior. Antigamente havia um nome para isto: arrogância; mas não deve ser este o caso da maior nação protestante do mundo. Como bons cristãos, os nossos irmãos norte-americanos sabem muito bem que arrogância é um pecado terrível.

Agora, uma coisa precisa ficar clara de uma vez por todas: se eu vivo em um país injusto e me acomodo à situação, fazendo de conta que a injustiça praticada contra terceiros de modo algum me alcança, preciso ser advertido do meu equívoco. É que a injustiça consentida, mesmo quando não desejada mas apenas consentida, torna solidários os que a cometem e os que aconsentem. E tanto uns quanto outros precisam estar conscientes de que sempre é possível, mesmo quando aparentemente improvável, uma reação do ofendido. E se os ofendidos forem muitos, maior ainda será a possibilidade do revide, da agressão em contrapartida à injustiça. E mais: se os ofendidos operarem a justiça retributiva por instrumentos distintos daqueles reconhecidos como legítimos pelo ofensor, aí então pode-se contar como certa a tragédia, pois mais cedo ou mais tarde os injustiçados farão valer, ainda que por meios tortuosos e absolutamente injustificáveis, aquilo que acreditam ser justo.

Pode ter sido isto o que atingiu os nossos irmãos do Norte. À surpresa do ataque improvável, mas dolorosamente real, seguiu-se uma onda de clamor por vingança, por sangue para lavar a honra agredida. Exatamente como nos tempos mais distantes, quando a agressão conferia ao agredido o direito/dever do revide na mesma proporção. Curioso é que, quando se imaginava que a lei de talião estivesse restrita atualmente às culturas atrasadas, primitivas e perdidas nos burados das terras orientais, eis que ela surge no seio da maior nação protestante do mundo, clamando por sangue para cobrir sangue, ofensa para pagar ofensa, morte para quitar mortes.

Pelo que noticiam os jornais, os nossos irmãos norte-americanos acham-se prestes a despejar algumas toneladas de explosivos sobre o Afeganistão, suspeito de abrigar o suposto criminoso. Vendo a notícia, perguntei-me sobre quais seriam os alvos de tais artefatos. Décadas de guerras sucessivas deixaram no Afeganistão muito pouca coisa de pé que valha a pena ser destruída por uma bomba, segundo se apressam a informar os jornalistas. Neste caso, sobre o que se abateria a justa fúria dos nossos irmãos?

Foi somente então que me dei conta de que esse bombardeio iminente não tem como objetivo destruir o que já se acha destruído faz tempo; não é seu propósito demolir edifícios que há muito já viraram pó. O objetivo dos nossos irmãos do Norte, com esse bombardeio, é reconstruir. Reconstruir o seu orgulho ferido; reconstruir sua auto-estima abalada, sua impressão de inatingibilidade e de superioridade arranhadas por três aviões que ignoraram imperdoavelmente a proibição tácita de se espatifarem contra alvos norte-americanos, mesmo quando guiados por suicidas internacionais.

Nossos irmãos bem poderiam dar ao mundo uma lição de autêntica grandeza, a primeira, quem sabe, recorrendo aos organismos internacionais de justiça que eles mesmos se empenharam em enfraquecer para tornar mais confortáveis as suas aventuras pelo mundo afora; poderiam, como dizia, recorrer a tais organismos para retribuir de forma justa à agressão desmedida de que foram vítimas. Poderiam optar por uma verdadeira lição de superioridade fazendo justiça por meios justos, resistindo à tentação de devolver, elevada à décima potência, a ofensa recebida.

Ao contrário disto, parecem preferir extravasar os sentimentos mais irracionais e partir para o bombardeio e a matança generalizada. Nisto, sem perceber, tornam-se iguais ao mal que acreditam combater. É uma lástima que os nossos irmãos norte-americanos ainda não tenham aprendido esta lição.

Mas Deus, em sua infinita sabedoria, longanimidade e bondade saberá perdoá-los, juntamente com os seus agressores, quando (e se) ambos, em decorrência da lição finalmente aprendida, arrependidos lhe implorarem o perdão pelas atrocidades cometidas de parte a parte.


Jairo Lucas Calixto de OLiveira

Brilho 8:44 AM


Saturday, September 22, 2001
 
"Tem uma Xícara de Açucar para me emprestar?"

Pelo jeito o Fernando Rodrigues nunca morou no Brasil. Pelo jeito ele só vai ao Brasil em tempos de copa do mundo e carnaval. Ele usa a opinião de 3 pessoas para fundamentar seu pensamento: Paulo Francis, Roberto Campos e Clóvis Rossi. Dos três somente Clovis é reconhecidamente alguém sério a quem se deve dar ouvidos. Francis sempre foi alguém que nunca escondeu seu racismo e desgosto pelo Brasil em seus comentários feitos de Nova York, onde vivia, divulgados pela famigerada Rede Globo. Roberto Campos, um político que demonstrou claramente ódio pela democracia sendo uma das pessoas que mais lutou contra as eleições diretas no Brasil. Como alguém pode se basear nestas duas figuras anti-Brasil para escrever um artigo? Já o que disse Clóvis Rossi, é claro que isso foi totalmente tirado do contexto, seria preciso analisar o seu texto inteiro e não somente uma parte dele que pode ser usada em qualquer lugar porque ele não fala nada mais do que aquilo que todos nós sabemos.

Como alguém que se diz brasileiro me vem com a insinuação de que no Brasil não há solidariedade? Gente, o que aconteceu em Nova York levantaria a solidariedade de qualquer povo, qualquer um, até mesmo do povo americano. A solidariedade no Brasil é visível apesar de não termos um "projeto bem definido de país" e é por isso mesmo que a solidariedade aparece. A solidariedade no Brasil acontece em tempos de tragédia e também no dia-a-dia em que a convivência comunitária impulsa a atos voluntários que nunca serão reportados em jornais ou na TV. Isso vai do simples ato de estar sempre pronto a dar uma "xícara de açucar" ao seu vizinho (coisa comum no nosso cotidiano) até acolher alguém em casa porque essa pessoa não tem para onde ir e necessita de apoio. Há alguns anos escrevi uma carta à minha família no Brasil agradecendo à ela por me ensinar através desses atos a ser mais solidário. Cresci vendo gente dentro de casa que na sua necessidade corria lá por ajuda. Eles nunca fecharam a porta, se não fosse possível atender com dinheiro ou qualquer outra coisa maior, sempre foi possível atender com apoio e com um espaço em casa para a pessoa descançar. Os brasileiros não são todos assim, mas nosso povo é assim. Insinuar que o Brasil só vê solidariedade em tempos de carnaval e futebol é no mínimo irresponsável e insensível. Para citar um exemplo mais recente posso dizer que o tal de Fernando Rodrigues nunca esteve no Brasil em tempos da campanha do Betinho, se não ele teria outra opinião. Quando coloco aqui todas essas coisas eu não estou afirmando que o Brasil é um país onde tudo é maravilhoso, todo mundo sabe muito bem disso. A tragédia em Nova York despertou a solidariedade de todos e repito, aconteceira assim em qualquer parte do mundo, porém, para quem não sabe, o americano no seu dia-a-dia é extremamente individualista e muitas vezes insensível as necessidades dos outros. Não digo isso como destaque a ações individuais, mas como característica dessa sociedade. As coisas aqui são organizadas, funcionan e a justiça é exemplar, porém, falta humanidade, falta carinho, falta companherismo, falta muita coisa. Isso qualquer brasileiro que mora aqui pode atestar e confirmar. O centro da vida aqui não é social, é econômica. Para terminar esse comentário longo (mas sei que o Jean gosta que a gente comente), evoco aqui o antropólogo Roberto DaMatta que escreveu uma coisa simples mas interessante sobre o brasileiro em seu livro: "O que faz o brasil, Brasil." Ele diz: "Sei, então, que sou brasileiro e não norte-americano, porque gosto de comer feijoada e não hambúrguer; porque sou menos receptivo a coisas de outros países, sobretudo costumes e idéias; porque tenho um agudo sentido de ridículo para roupas, gestos e relações sociais, porque vivo no Rio de Janeiro e não em Nova York; porque falo português e não inglês; porque, ouvindo música popular, sei distinguir imiediatamente um frevo de um samba; porque futebol para mim é um jogo que se pratica com os pés e não com as mãos; porque vou à praia para ver e conversar com os amigos, ver mulheres e tomar sol, jamais para praticar um esporte; porque sei que no carnaval trago à tona minhas fantasias sociais e sexuais; porque sei que não existe jamais um “não” diante de situações formais e que todas admitem um "jeitinho" pela relação pessoal e pela amizade; porque entendo que ficar malandramente "em cima do muro" é algo honesto, necessário e prático no caso do meu sistema; porque acredito em santos católicos e também nos orixás africanos; porque sei que existe destino e, no entanto, tenho fé no estudo, na instrução e no futuro do Brasil; porque sou leal a meus amigos e nada posso negar a minha família; porque finalmente, sei que tenho relações pessoais que não me deixam caminhar sozinho neste mundo, como fazem os meus amigos americanos, que sempre se vêen e existem como indivíduos!".

Roberto DaMatta não está colocando aqui a questão de quem é bom ou ruim ou se uma ou outra situação é boa ou ruim, ele está fazendo uma comparação singela dos dois casos. Talvez seja pedir demais, mas dê uma lida no livro dele, São somente 126 páginas e muito prazeiroso de lêr porque explica muito do que é o nosso povo.

Quanto à questão de anti-americanismo, recentemente o jornal "The New York Times" trouxe uma série de reportagens sobre como os franceses estão cada vez mais antiamericanos. Ha uma verdadeira coleção de novos livros na França sobre a questão e o jornal estava analisando alguns desses livros e também colocando a questão a nível mundial. Parece que o Fernando não percebeu isso. Preferiu evocar Paulo Francis e seu racismo para dar suporte a uma idéia que até mesmo o "The New York Times" consegue ver no mundo e reconhecer que isso não é coisa do tempo da guerra do Vietnã. A coisa é atual, abrangente e complexa. Aliás, a guerra do Vietnã teve muito mais protesto dentro do próprio país do que em qualquer outro lugar do mundo.

E, pelo amor do pai gerado, vamos fazer um favor ao nosso povo e a nós mesmos: esqueçamos de uma vez por todos de Paulo Francis e Roberto Campos.

Alverson de Souza

Brilho 6:57 PM


Wednesday, September 19, 2001
 
ARE WE GOING TO WAR?


By: Tamim Ansary

I've been hearing a lot of talk about "bombing Afghanistan back to the Stone Age." Ronn Owens, on KGO Talk Radio today, allowed that this would mean killing innocent people, people who had nothing to do with this atrocity, but "we're at war, we have to accept collateral damage. What else can we do?" Minutes later I heard some TV pundit discussing whether we "have the belly to do what must be done."

And I thought about the issues being raised especially hard because I am from Afghanistan, and even though I've lived here for 35 years I've never lost track of what's going on there. So I want to tell anyone who will listen how it all looks from where I'm standing.

I speak as one who hates the Taliban and Osama Bin Laden. There is no doubt in my mind that these people were responsible for the atrocity in New York. I agree that something must be done about those monsters.

But the Taliban and Ben Laden are not Afghanistan. They're not even the government of Afghanistan. The Taliban are a cult of ignorant sychotics who took over Afghanistan in 1997. Bin Laden is a political criminal with a plan. When you think Taliban, think Nazis. When you think Bin Laden, think Hitler. And when you think "the people of Afghanistan" think "the Jews in the concentration camps." It's not only that the Afghan people had nothing to do with this atrocity. They were the first victims of the perpetrators. They would exult if someone would come in there, take out the Taliban and clear out the rats nest of nternational thugs holed up in their country.

Some say, why don't the Afghans rise up and overthrow the Taliban? The answer is, they're starved, exhausted, hurt, incapacitated, suffering. A few years ago, the United Nations estimated that there are 500,000 disabled orphans in Afghanistan--a country with no economy, no food. There are millions of widows. And the Taliban has been burying these widows alive in mass graves. The soil is littered with land mines, the farms were all destroyed by the Soviets. These are a few of the reasons why the Afghan people have not overthrown the Taliban.

We come now to the question of bombing Afghanistan back to the Stone Age. Trouble is, that's been done. The Soviets took care of it already. Make the Afghans suffer? They're already suffering. Level their houses? Done. Turn their schools into piles of rubble? Done. Eradicate their hospitals? Done. Destroy their infrastructure? Cut them off from medicine and health care? Too late. Someone already did all that. New bombs would only stir the rubble of earlier bombs. Would they at least get the Taliban? Not likely. In today's Afghanistan, only the Taliban eat, only they have the means to move around. They'd slip away and hide. Maybe the bombs would get some of those disabled orphans, they don't move too fast, they don't even have wheelchairs. But flying over Kabul and dropping bombs wouldn't really be a strike against the criminals who did this horrific thing. Actually it would only be making common cause with the Taliban--by raping once again the people they've been raping all this time.

So what else is there? What can be done, then? Let me now speak with true fear and trembling. The only way to get Bin Laden is to go in there with ground troops. When people speak of "having the belly to do what needs to be done" they're thinking in terms of having the belly to kill as many as needed. Having the belly to overcome any moral qualms about killing innocent people. Let's pull our heads out of the sand. What's actually on the table is Americans dying. And not just because some Americans would die fighting their way through Afghanistan to Bin Laden's hideout. It's much bigger than that folks. Because to get any troops to Afghanistan, we'd have to go through Pakistan. Would they let us? Not likely. The conquest of Pakistan would have to be first. Will other Muslim nations just stand by? You see where I'm going. We're flirting with a world war between Islam and the West.

And guess what: that's Bin Laden's program. That's exactly what he wants. That's why he did this. Read his speeches and statements. It's all right there. He really believes Islam would beat the west. It might seem ridiculous, but he figures if he can polarize the world into Islam and the West, he's got a billion soldiers. If the west wreaks a holocaust in those lands, that's a billion people with nothing left to lose, that's even better from Bin Laden's point of view. He's probably wrong, in the end the west would win, whatever that would mean, but the war would last for years and millions would die, not just theirs but ours.

Who has the belly for that? Bin Laden does. Anyone else?

Tamim Ansary






“Nós Vamos à Guerra?”

Eu tenho ouvido muito sobre “bombardear o Afeganistão até virar cinzas”. Ron Owens, no seu programa de rádio hoje, reconheceu que isso siginifica matar pessoas inocentes, pessoas que não tem a ver com essas atrocidades, mas “nós estamos na guerra, nós temos que aceitar os danos colaterais. O que podemos fazer?” Alguns minutos depois eu ouvi alguém na TV discutindo se nós “temos estômago para fazer o que precisa ser feito.”

Eu pensei sobre as questões que estão sendo levantadas. Elas são duras para mim especialmente porque eu sou do Afeganistão, e mesmo que eu esteja vivendo aqui por 35 anos eu nuca perdi o rumo do que está acontecendo lá. Então, eu quero dizer `a todos que querem ouvir como tudo isso é percebido do meu ponto de vista.

Eu falo como uma pessoa que detesta o Taliban e Osama Bin Laden. Não há qualquer dúvida na minha mente que essas pessoas são as responsáveis pelas atrocidades acontecidas em Nova York. Concordo que alguma coisa deve ser feita sobre esses monstros.

Mas o Taliban e Bin Laden não são o Afeganistão. Eles nem mesmo são o governo do Afeganistão. O Taliban é um culto de ignorantes psicóticos que tomaram o Afeganistão em 1997. Bin Laden é um criminoso político com um plano. Quando você pensa no Taliban, pense em Nazismo. Quando você pensa em Bin Laden, pense em Hitler, e quando você pensa no “povo do Afeganistão”, pense “nos judeus nos campos de concentração.” Isto não é somente o fato de que o povo do Afeganistão não tenha nada com esta atrocidade. O povo é a primeira vítima deste regime. O povo vibraria se alguém fosse lá tirasse o Taliban e limpasse o país destes ninho de ratos que se infiltou no seu país.

Alguns dizem, porque o povo não se levanta contra o Taliban? A resposta é, o povo está faminto, cansado, machucado, incapacitado e sofrendo. Há alguns anos, uma estimativa das Nações Unidas mostrou que há pelo menos 500.000 órfãos desabilitados no Afeganistão – um país sem economia, sem alimentos. Existem milhões de viúvas e o Taliban tem enterrado essas viúvas vivas em covas. O solo está cheio de minas, as fazendas foram todas destruídas pleos soviéticos. Estas são algumas das razões porque o povo do Afeganistão não expulsou o Taliban.

E agora existe essa questão de bombardear o Afeganistão até às cinzas. O problema é, isto já tem sido feito. Os soviéticos já cuidaram disso. Fazer o povo sofrer? Já está sofrendo. Acabar com suas casas. Já foi feito. Tornar suas escolas em pilhas de sucata? Já foi feito. Acabar com seus hospitais? Já foi feito. Destruir a infraestrutura? Cortar sua assistência médica e sistema de saúde? Muito tarde. Alguém já fez tudo isso. Novas bombas vão somente remexer na sucata deixada pelas bombas anteirores. Será que eles pelo menos pegariam o Taliban? Provavelmente não. No Afeganistão de hoje somente o Taliban come, somente eles tem os meios para se moverem no país. Talvez as bombas somente atingirão esses órfãos desabilitados porque eles não podem se locomover com rapidez, eles não tem nem mesmo cadeiras de rodas. Soltar bombas sobre Kabul realmente não atingiria os criminosos que fizeram essa coisa horrível. Realmente isso seria somente fazer senso comum com o Taliban – estrupando uma vez mais o povo que eles vem estrupando por um longo tempo.

Então, o que ainda resta lá? O que pode ser feito? Deixe-me falar com medo e tremendo. A única maneira de pegar Bin Laden é ir através de tropas de terra. Quando as pessoas perguntam sobre ter “o estômago para fazer o que precisa ser feito” eles estão pensando em termos de ter de matar tantos quantos for necessário. Ter o estômago de superar a consciência moral de matar inocentes. Vamos tirar nossas cabeças do buraco. O que realmente está em jogo é que americanos estão morrendo, e não é somente porque alguns americanos morreriam lutando através da terra em busca dos esconderijos de Bin Laden. A coisa é muito maior que isso, porque para se entrar no Afeganistão com qualquer tropa seria necessário entrar através do Paquistão. Será que eles permitiriam isso? Provavelmente não. Primeiro se teria que conquistar o Paquistão. Ficariam as outras nações muçulmanas somente observando? Você pode notar onde eu estou indo. Nós estamos lidando com uma guerra mundial entre Islã e Ocidente.

E adivinha o que: Este é o programa de Bin Laden. Isto é exatamente o que ele quer. Esta é a razão dele fazer isso. Leia seus discursos e seus anúncios. Está tudo lá. Ele realmente acredita que o Islã derrotaria o Ocidente. Isto pode parecer ridículo, mas ele acredita que se ele puder polarizar o mundo entre Islã e Ocidente ele vai ter bilhões de soldados que não tem nada a perder, isto é a ainda melhor do ponto de vista de Bin Laden. Ele provavelmente está errado, no final o Ocidente vai vencer, seja lá o que isso signifique, mas a guerra duraria muitos anos e milhões morreriam, não somente os deles mas também os nossos.

Quem tem estômago para isso? Bin Laden tem. Alguém mais tem?

Tamim Ansary




Brilho 12:13 AM